A Ucrânia intensificou ao longo da semana sua campanha contra a infraestrutura energética russa, atingindo refinarias, depósitos de combustíveis e instalações logísticas em diferentes regiões do país. Entre os principais alvos estiveram a refinaria de Moscou, atacada duas vezes no mês, além de terminais de armazenamento e unidades de processamento ligadas ao abastecimento doméstico. Os ataques reduziram a capacidade de refino, dificultaram a distribuição de combustíveis e ampliaram a pressão sobre o sistema energético russo, em uma estratégia voltada a limitar a capacidade de abastecimento interno e de exportação de derivados.

O impacto mais relevante foi registrado na refinaria de Moscou, que deverá permanecer fora de operação por pelo menos seis meses. A unidade processava cerca de 232 mil barris por dia de petróleo e produzia aproximadamente 58 mil barris por dia de gasolina e 64 mil barris por dia de diesel, sendo a principal fornecedora de combustíveis da região da capital. Com a perda dessa capacidade e os danos acumulados em outras instalações ao longo das últimas semanas, a Rússia enfrenta escassez de combustíveis, aumento dos preços internos e dificuldades de abastecimento em diversas regiões. Diante desse cenário, o governo passou a estudar medidas emergenciais, incluindo um possível banimento das exportações de diesel e até a importação de combustíveis para suprir mercados mais afetados, como a Crimeia.

Caso a restrição às exportações seja confirmada, os efeitos poderão se estender ao mercado internacional de diesel. A Rússia continua entre os principais exportadores globais do derivado e permanece como importante fornecedor para países como o Brasil. Uma eventual interrupção dos embarques reduziria a oferta disponível no mercado internacional, elevaria os custos de importação e aumentaria a volatilidade dos preços, justamente em um momento em que os estoques globais seguem pressionados e a demanda sazonal por diesel permanece elevada.

Diesel Economics | 26/06/2026