
A expansão da chamada frota fantasma voltou ao centro das atenções após a escalada das tensões no Oriente Médio e ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz. Estima-se que cerca de 1,5 mil petroleiros operem de forma clandestina no mundo, sendo aproximadamente 1,1 mil ligados à Rússia, transportando quase 20% de todo o petróleo consumido globalmente. Esse mercado paralelo cresceu com o endurecimento de sanções contra países como Rússia, Irã e Venezuela, criando uma rede alternativa de escoamento de energia.
Esses navios operam com uma série de artifícios para escapar da fiscalização: desligam sistemas de rastreamento, utilizam documentos falsos, mudam nomes e bandeiras e realizam transferências de carga em alto-mar. As principais rotas envolvem fluxos entre Rússia, Irã e grandes compradores asiáticos, especialmente China e Índia. Além disso, parte relevante dos derivados também chega a mercados como Brasil e Cingapura, mostrando o alcance global dessa operação clandestina.
O avanço dessa frota levanta preocupações crescentes, tanto pelo risco ambiental, já que muitos navios são antigos e operam sem manutenção adequada, quanto por questões humanitárias, incluindo denúncias de trabalho forçado e tráfico de pessoas. Diante disso, países europeus e os Estados Unidos vêm intensificando ações de fiscalização e sanções, tentando conter uma atividade que se tornou peça-chave para manter receitas de países sob restrições internacionais.
Adaptado Diesel Economics | 17/04/2026