
O Brasil registrou superávit comercial recorde de US$ 14,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 47,6% na comparação anual, impulsionado principalmente pela valorização do petróleo. As exportações de óleo bruto cresceram 31%, com forte concentração na China, que respondeu por mais da metade das compras. Em contrapartida, os embarques para os Estados Unidos caíram 40%, refletindo mudanças comerciais e novas tarifas, enquanto as exportações totais avançaram 7,1%.
Apesar do desempenho externo positivo, o cenário doméstico enfrenta pressões relevantes. A guerra no Oriente Médio tem afetado diretamente o abastecimento global ao impactar rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, elevando custos nas cadeias produtivas e o preço de derivados importados, aumentando o risco inflacionário.
Esse choque de custos ocorre ao mesmo tempo em que o aumento do petróleo eleva a arrecadação do governo, criando um cenário misto para a economia. Diante da pressão inflacionária, o Banco Central do Brasil desacelerou o ritmo de corte de juros, promovendo uma redução mais moderada. Assim, enquanto o setor externo se beneficia do ciclo de commodities, a economia interna enfrenta desafios ligados à inflação e à dependência de insumos estratégicos.
Adaptado Diesel Economics | 24/03/2026