As sanções impostas pelos Estados Unidos à Rússia e ao Irã resultaram em um volume “sem precedentes” de petróleo armazenado em petroleiros, afirmou Torbjörn Törnqvist, cofundador da Gunvor Group, durante a conferência ADIPEC em Abu Dhabi. Segundo ele, caso todas as sanções fossem suspensas, o mercado enfrentaria um severo excesso de oferta.
O executivo destacou que, embora a ampla disponibilidade de petróleo reduza a volatilidade, as restrições comerciais deslocaram grandes quantidades de barris, muitos dos quais permanecem em navios ao redor do mundo. A Gunvor, inclusive, negocia a compra dos negócios internacionais da Lukoil, após as sanções dos EUA tornarem quase impossível operar com subsidiárias russas.
A visão da Gunvor é compartilhada por outras tradings globais. Marco Dunand, CEO da Mercuria, afirmou que o mercado pode enfrentar um superávit de até 2 milhões de barris por dia em 2026, embora o impacto das sanções possa reduzir esse número para cerca de 1 milhão. Ele alertou que o excesso está se formando lentamente e deve atingir o mercado nos próximos meses.
A magnitude do possível excesso é debatível, com estimativas variando de um superávit recorde a aumentos moderados nos estoques durante o período sazonalmente fraco do primeiro trimestre. A incerteza sobre a aplicação das sanções contra as maiores petroleiras russas é um dos principais fatores que dificultam previsões.
Adaptado Diesel Economics | 05/11/2025