A Rússia avalia impor restrições às exportações de diesel e combustível de aviação diante da queda nas operações de refinarias provocada pelos ataques ucranianos à infraestrutura energética do país. Segundo a Interfax, o governo russo já orientou petroleiras a reduzirem as vendas externas de derivados após reunião liderada pelo vice-primeiro-ministro Alexander Novak. A possibilidade de um embargo parcial às exportações ganha força em um momento em que o processamento de petróleo nas refinarias russas caiu para 4,69 milhões de barris por dia em abril, o menor nível em mais de 16 anos, ampliando os riscos de aperto na oferta global de diesel.
O cenário preocupa diretamente o Brasil, que segue altamente dependente do diesel russo mesmo em meio à guerra no Oriente Médio e às tensões envolvendo sanções internacionais. Dados do Comex Stat mostram que o país importou 1,2 bilhão de litros de diesel em abril, sendo 1,1 bilhão provenientes da Rússia. O restante veio dos Estados Unidos. Apesar da manutenção do fluxo de importações, os preços dispararam nos últimos meses: segundo a ANP, o preço de paridade de importação (PPI) do diesel atingiu R$ 5,73 por litro no fim de abril, contra R$ 3,48 antes do início da guerra no Oriente Médio. Desde então, houve leve recuo para R$ 5,33 por litro na semana encerrada em 22 de maio.
Diesel Economics | 29/05/2026