A greve nacional dos petroleiros, prevista para começar em 15 de dezembro de 2025 caso não haja acordo entre a Petrobras e os sindicatos da categoria, permanece como uma possibilidade concreta, embora não represente risco imediato de desabastecimento no país.
Segundo a FUP, trabalhadores da Petrobras e de suas subsidiárias, incluindo Transpetro, TBG e Pbio, estão autorizados a aderir à paralisação caso não haja entendimento com a empresa nos próximos dias. A entidade afirma que a adesão chegou a 90 por cento da força de trabalho. Apesar disso, a legislação brasileira impede paralisação total das atividades, já que a produção e a distribuição de energia, incluindo combustíveis, são classificadas como serviços essenciais. Nesses casos, a manutenção de equipes mínimas é obrigatória, seja por definição da própria empresa, seja por determinação judicial, e a greve deve ser comunicada com antecedência mínima de 72 horas.
As áreas afetadas podem abranger toda a cadeia de combustíveis, desde a exploração e produção de petróleo até o refino e a logística. A Diesel Economics avalia que os efeitos de uma greve dependerão essencialmente do nível real de adesão e da configuração das equipes de contingência definidas pela Petrobras. A companhia informou, em notas à imprensa, que não enxerga riscos de desabastecimento devido ao plano de continuidade operacional.
Mesmo sem paralisação completa, algumas consequências são possíveis. As cotas diárias de combustíveis destinadas aos distribuidores podem sofrer ajustes, o que tende a gerar especulação de preços em determinados mercados. Entregas podem ficar mais lentas caso haja menor disponibilidade de operadores no refino ou na logística da Transpetro. A produção de petróleo também pode registrar redução temporária, dependendo da formação das equipes mínimas nas plataformas.
Na prática, os primeiros dias da mobilização não devem provocar interrupções significativas no abastecimento. Exploração, refino e logística permanecerão ativos, ainda que com produtividade potencialmente reduzida. O cenário pode se tornar mais sensível apenas caso a greve se prolongue e reduza a margem operacional por um período extenso. Até o dia 15, novas rodadas de negociação entre a Petrobras e os representantes sindicais ainda podem alterar o desfecho. Seguiremos monitorando a situação, conforme novos elementos forem confirmados.
Diesel Economics | 12/12/2025