As exportações de diesel da Rússia voltaram a ganhar força no fim de 2025 e início de 2026, revertendo o aperto observado ao longo do ano passado. Após um período marcado por quedas acentuadas na oferta, provocadas por ataques a refinarias e interrupções operacionais, a recuperação da capacidade de refino levou os embarques russos de diesel a cerca de 900 mil barris por dia em dezembro, reduzindo os spreads do diesel na Europa e alterando novamente as rotas globais de comércio.
A retração da oferta ao longo de 2025 havia sido abrupta, com as exportações russas atingindo o menor nível em cinco anos em setembro, em meio a sucessivos ataques a instalações de refino e restrições temporárias impostas pelo próprio governo russo. No entanto, a normalização avançou mais rápido do que o esperado, mesmo diante das dificuldades para obtenção de equipamentos ocidentais. A produção de diesel alcançou 1,8 milhão de barris por dia na primeira metade de janeiro de 2026, enquanto o volume processado pelas refinarias voltou a crescer, impulsionando estoques domésticos a níveis recordes e reacendendo o debate sobre o fim das restrições às exportações.
O aumento da oferta russa também reacendeu fluxos para mercados sensíveis a preços, como o Brasil, altamente dependente de diesel importado. Após forte retração no segundo semestre de 2025, as compras brasileiras de diesel russo se recuperaram em dezembro, refletindo a combinação de preços descontados e limitações de alternativas de suprimento. O movimento evidencia os limites das sanções ocidentais sobre os derivados russos e sugere que, enquanto houver demanda firme e combustível com desconto, os incentivos econômicos continuarão a prevalecer sobre os riscos políticos no comércio internacional de combustíveis.
Adaptado Diesel Economics | 23/01/2026