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Excesso global de petróleo muda dinâmica do mercado e pressiona preços

O mercado global de petróleo está passando por uma virada significativa, com mais de um bilhão de barris armazenados em petroleiros parados no mar, segundo a consultoria Vortexa. Esse é o maior volume desde 2020, quando a pandemia provocou uma queda drástica nos preços. O acúmulo reflete um excedente crescente, impulsionado pela alta na produção e pela desaceleração da demanda, especialmente na China.

A mudança já afeta exportadores do Oriente Médio, como Emirados Árabes Unidos e Catar, que enfrentam dificuldades para vender cargas com embarque previsto para novembro. A curva de preços também se alterou: o mercado passou de backwardation (escassez) para contango (excesso), com contratos futuros mais caros que os de entrega imediata. Nos EUA, os estoques subiram por três semanas consecutivas, e traders buscam espaço para armazenar petróleo em Cushing.

A Agência Internacional de Energia (AIE) projeta um superávit recorde de quase 4 milhões de barris por dia em 2026, embora admita que o mercado pode se ajustar rapidamente. A produção americana deve desacelerar no próximo ano, e países da Opep+ enfrentam limitações para ampliar o bombeamento. Caso os preços caiam ainda mais, cortes de produção podem ser retomados.

Enquanto isso, a pressão de Donald Trump sobre a Índia para reduzir compras de petróleo russo pode apertar novamente o mercado. Traders como Gunvor e Vitol esperam queda nos preços no curto prazo, com a Trafigura projetando o barril a US$ 50 em 2026, mas com possível recuperação para a faixa dos US$ 60 em 12 meses.

Apesar das incertezas, especialistas concordam que o ciclo mudou. A abundância de oferta pode aliviar os consumidores após anos de inflação, mas representa risco para produtores de xisto nos EUA e para a Arábia Saudita, que enfrenta déficit fiscal. A transição energética e o avanço dos veículos elétricos na China também contribuem para esse novo cenário.

Adaptado Diesel Economics | 20/10/2025

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InvestNews
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