
A escalada militar no Oriente Médio atingiu um ponto de ruptura nesta semana, mergulhando a região em um cenário de guerra aberta. O ponto de inflexão ocorreu em 28 de fevereiro, quando uma ofensiva aérea sem precedentes coordenada por Israel e pelos Estados Unidos estabeleceu superioridade aérea sobre o espaço iraniano. O momento mais dramático da operação foi o ataque direto ao complexo do aiatolá, episódio que não apenas desestruturou parte do comando militar do país, como também colocou o Irã diante de um delicado processo de sucessão do Líder Supremo.
Enquanto os bombardeios conduzidos por forças israelenses e americanas atingiam centros de comando e baterias de mísseis, Teerã respondeu com o que analistas classificam como uma “doutrina de destruição mútua” voltada ao setor energético. Em uma série de ataques com drones e mísseis de cruzeiro, o país mirou refinarias, campos de petróleo e gás, portos de exportação e centros logísticos em nações do Golfo. Instalações estratégicas na Arábia Saudita foram atingidas, incluindo a maior refinaria do país, em Ras Tanura, que teve suas operações paralisadas. Outros produtores da região também interromperam atividades diante das dificuldades de escoamento, agravadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, a frente norte se intensificou com ataques no Líbano, enquanto Israel tenta neutralizar o Hezbollah após o grupo lançar uma retaliação em larga escala contra Tel Aviv.
O presidente Donald Trump declarou publicamente que a Marinha dos Estados Unidos “protegerá Ormuz com força total e garantirá o fluxo de petróleo”, numa tentativa de acalmar os mercados. O tom, no entanto, foi rapidamente relativizado por oficiais do Pentágono e analistas navais, que alertaram que o estreito se tornou uma zona ativa de combate, tornando inviável a escolta segura de petroleiros no curto prazo. Até esta sexta-feira, 6 de março, a paralisação no Estreito de Ormuz é quase total, e o setor de seguros marítimos já precifica um cenário em que cerca de 20 milhões de barris por dia de oferta global permanecem inacessíveis, impulsionando o Brent para uma trajetória de forte alta.
O cenário pode se agravar caso o bloqueio ao estreito se prolongue. Países da Ásia são altamente dependentes do petróleo do Golfo – o Japão, por exemplo, importa cerca de 90% de sua demanda da região. Na Europa e na Índia, governos e refinarias já buscam alternativas, incluindo o retorno parcial ao petróleo russo, anteriormente alvo de sanções que vêm sendo flexibilizadas temporariamente em algumas regiões, como a Europa Central e o próprio mercado indiano. Segundo estimativas do governo americano, o conflito poderia durar entre cinco e seis semanas. Porém, o prazo pode se estender significativamente caso haja uma invasão terrestre do Irã. No momento, todas as negociações diplomáticas estão suspensas. O presidente Trump passou a exigir a rendição total do regime iraniano, ao mesmo tempo em que busca apoio de aliados europeus, que ampliam sua presença na região, mas ainda sem envolvimento direto. O Irã por sua vez busca um novo líder em meio aos bombardeiros e contra-ataques estratégicos e busca causar os maiores danos em um conflito assimétrico.
Diesel Economics | 06/03/2026