Trading de combustíveis suíça sai do Brasil

A trading suíça Mercuria vai suspender suas operações de importação de diesel e gasolina no Brasil, a partir de agosto. A multinacional está desativando a sua subsidiária no país, a Flamma Óleos e Derivados.

A informação foi publicada pela Argus Media e confirmada pelo Valor com duas fontes. A companhia fez, nos últimos anos, um investimento estimado em R$ 200 milhões no terminal Terin, no Porto de Paranaguá (PR), e tinha planos de expandir a infraestrutura de armazenamento. A empresa, no entanto, desistiu do projeto e suspenderá as operações, diante dos recorrentes prejuízos.

O Valor apurou que a companhia está revisando a destinação dos tanques. No site da multinacional consta que a Mercuria possui capacidade de armazenamento de 53 milhões de litros no Terin.

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Flamma chegou a fornecer em 2017, auge de suas atividades, cerca de 1,13 bilhão de litros de diesel. Naquele ano, a empresa foi a quarta maior importadora privada do derivado no Brasil, tendo sido responsável por abastecer 2,3% do mercado doméstico. A partir de 2018, marcado pela greve dos caminhoneiros e pelo programa de subsídios do governo Michel Temer, os volumes da companhia caíram ano a ano. No primeiro semestre deste ano, a Flamma entregou no país 31 milhões de litros do derivado,participação de mercado de 0,12%.

O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, disse que a empresa havia dado uma primeira sinalização das dificuldades em manter os negócios no país em meados do ano passado, quando se desfiliou da entidade. Segundo o executivo, a prática de preços abaixo da paridade de importação por parte da Petrobras, sobretudo desde 2020, tem reduzido a participação de operadores privados.

“Eles ainda estavam na expectativa de mudanças, com uma nova gestão na Petrobras, e de melhorias no ambiente de negócios. Tinham esperança de que a venda das refinarias avançasse [mais rapidamente]. A saída da Mercuria é uma sinalização muito ruim para um mercado que tanto precisa de investimentos privados”, disse Araújo.

Segundo levantamento da Abicom, com base em dados da ANP, a participação da Petrobras subiu de 77% para 86% no abastecimento de diesel no primeiro semestre de 2021, em relação a igual período do ano passado. No segundo trimestre, houve ligeira perda de participação, de um ponto percentual, em relação aos três primeiros meses do ano. Na gasolina, a fatia de mercado da estatal subiu de 74,9% para 81,5%, na comparação entre os primeiros semestres de 2020 e 2021.

Ainda segundo a Abicom, a participação da Petrobras no diesel importado subiu nos últimos meses, tendo atingido 40% em junho.

Procurada, a estatal não comentou. O Valor tentou contato com a Mercuria, mas não teve retorno.

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fecombustíveis
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