Adição de biodiesel ao diesel deve se manter nos 10%

O aumento da exportação de soja, principal matéria-prima do biodiesel brasileiro, fez com que o governo federal passasse de 12% para 10% a obrigatoriedade da adição do biocombustível na fórmula do óleo diesel, já que a oferta da oleaginosa para a área de combustível começou a escassear. Em princípio, a medida valeria de setembro até o final de outubro e após esse período o patamar original seria retomado. No entanto, segundo o presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Juan Diego Ferrés, existe uma grande chance desse prazo com um percentual mais baixo de biodiesel ser prorrogado.

“Não sabemos exatamente se vai continuar nos 10% ou se poderia ser estendido para 11%, como um índice intermediário, para retomar aos 12% no início do próximo ano, com a nova safra”, comenta o dirigente. Ferrés informa que já foi solicitado ao governo a autorização para importar matérias-primas dos países vizinhos, do Mercosul, para mitigar o problema gerado para a produção de biodiesel causado pela exportação excessiva da soja em grão. Atualmente, o presidente da Ubrabio calcula que a ociosidade das plantas do biocombustível no País esteja na ordem de 30%. Ele detalha que a capacidade total instalada da indústria nacional é de 1,58 bilhão de litros por bimestre.

Já o presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Carlos Battistella, afirma que a entidade está comprometida em encontrar o percentual de mistura possível, para que se tenha um preço equilibrado e disponibilidade de produto, superando essa fase de falta de matéria-prima. “Nós trabalhamos sempre para ter o máximo de biodiesel possível, mas entendemos que o momento requer diálogo”, destaca. Battistella considera que é uma questão pontual pela qual passa o setor, no entanto ele sustenta que o Brasil precisa pensar estrategicamente, não somente quanto à soja, mas quanto a outros itens do agronegócio, como arroz e feijão.

O dirigente salienta que nos últimos meses, com a pandemia do coronavírus, muitas nações reforçaram seus estoques alimentares, mantendo até exportações mais baixas para garantir essas reservas, o que não foi feito no Brasil. Para o presidente da Aprobio, é preciso discutir um planejamento de estoques no País, pois não se pode ficar sem produtos no mercado interno.

Sobre o tema da oferta e demanda por matéria-prima, o integrante do Instituto de Pesquisa Gianelli Martins e ex-presidente da Ubrabio, Odacir Klein, considera o desequilíbrio nas commodities agrícolas como algo circunstancial e impactado por fatores como o cambial. Ele acredita que no próximo ano a dificuldade não deverá permanecer e a tendência é que a adição do biodiesel no diesel deva inclusive aumentar.

Fonte
Jornal do Comércio
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