A recuperação parcial da infraestrutura de exportação saudita ajudou a conter uma alta ainda mais intensa do petróleo nos últimos dias, mas não foi suficiente para eliminar os riscos geopolíticos que continuam sustentando o Brent acima de US$ 100 por barril. Após os ataques recentes à infraestrutura energética da Arábia Saudita, o oleoduto East-West voltou a operar e a Saudi Aramco retomou a oferta de cargas por rotas alternativas ligadas ao Mar Vermelho e ao Golfo de Omã, reduzindo parte das preocupações imediatas com o escoamento da produção do reino.

Apesar dessa normalização parcial, o principal foco do mercado segue sendo a situação no Estreito de Ormuz. O tráfego marítimo continua muito abaixo dos níveis registrados antes do início do conflito entre Estados Unidos e Irã, refletindo os riscos de segurança para petroleiros que operam na região. Ao mesmo tempo, as negociações diplomáticas em torno de uma eventual reabertura mais ampla da rota seguem sem avanços concretos, enquanto autoridades iranianas mantêm posições duras sobre as condições exigidas para restaurar plenamente o fluxo de embarcações.

Outro fator que impede uma queda mais consistente dos preços é a atuação dos houthis no Mar Vermelho. Os ataques contra ativos e infraestrutura ligados à Arábia Saudita mostraram que os riscos para a oferta regional não se limitam a Ormuz, atingindo também rotas alternativas criadas justamente para reduzir a dependência do estreito. Com isso, mesmo após a retomada do East-West e do retorno de embarques sauditas por vias alternativas, o mercado continua incorporando um prêmio de risco relevante aos preços do petróleo diante da persistente instabilidade no Oriente Médio.

 

Diesel Economics | 25/09/2026