Os Estados Unidos ultrapassaram a Rússia e assumiram a liderança no fornecimento de diesel ao Brasil em julho, refletindo uma mudança no fluxo global de combustíveis. A participação americana nas importações brasileiras saltou de 38,4% em junho para 65,9% em julho, enquanto a fatia russa recuou de 61,5% para 25,6%. A redução das exportações russas ocorreu após Moscou restringir os embarques para priorizar o abastecimento interno diante dos ataques ucranianos à sua infraestrutura energética. Ao mesmo tempo, a Petrobras retomou as importações para reforçar seus estoques antes das paradas programadas de manutenção em três de suas principais refinarias entre agosto e novembro.

A mudança de origem das importações acontece em um momento de maior dependência do mercado externo. O Brasil produz cerca de 70% do diesel que consome, enquanto os 25% a 30% restantes são supridos por importações. Com a suspensão das exportações russas e a Petrobras voltando ao mercado internacional, a demanda pelo diesel americano aumentou, favorecendo os Estados Unidos como principal fornecedor do país. Em julho, as compras de diesel norte-americano cresceram mais de 70% na comparação anual, enquanto as importações do produto russo recuaram mais de 60%.

Segundo analistas, a nova configuração tende a elevar os custos de importação, já que o diesel americano é mais caro que o produto russo vendido com desconto desde o início da guerra na Ucrânia. A maior concorrência pelas cargas dos Estados Unidos, somada às elevadas margens de refino e às paradas de manutenção previstas nas refinarias da Petrobras, mantém o mercado atento à evolução dos preços internacionais e aos possíveis impactos sobre o abastecimento e os preços do diesel no Brasil.

Adaptado Diesel Economics | 07/08/2026