A Índia afirmou que continuará priorizando sua segurança energética, apesar das pressões dos Estados Unidos para reduzir as compras de petróleo e gás da Rússia. Segundo o Ministério das Relações Exteriores indiano, o país adotará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses comerciais e econômicos, ressaltando que ações que comprometam a segurança energética poderão afetar as relações bilaterais com Washington. A reação ocorre após a aprovação de um novo pacote de sanções dos EUA contra a Rússia, que prevê tarifas de até 100% para países que continuarem importando commodities energéticas russas. O objetivo da medida é reduzir as receitas de exportação de Moscou e aumentar a pressão econômica relacionada à guerra na Ucrânia.

A posição da Índia reflete sua elevada dependência do petróleo russo. Em agosto, mais de 50% das importações indianas de petróleo vieram da Rússia, o maior nível já registrado. Os embarques russos alcançaram cerca de 2,47 milhões de barris por dia, crescimento de 62,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço ocorreu porque o petróleo russo permanece competitivo para as refinarias indianas, especialmente em um momento em que a oferta do Oriente Médio segue pressionada pelos conflitos e pelas restrições logísticas nas principais rotas de exportação.

Para o mercado global de petróleo, a disputa evidencia a crescente dificuldade dos Estados Unidos em limitar o fluxo de petróleo russo sem afetar consumidores relevantes. A forte demanda da Índia ajuda a sustentar as exportações russas justamente em um período de oferta global apertada, marcado pelos impactos da guerra no Oriente Médio e pelas restrições à produção e ao transporte de petróleo na região. Dessa forma, a manutenção das compras indianas reduz a eficácia das tentativas de isolamento energético da Rússia e contribui para preservar parte da oferta disponível no mercado internacional.

 

Adaptado Diesel Economics | 18/09/2026 | OilPrice