A refinadora chinesa Sinopec anunciou que ampliará a compra de petróleo de fornecedores fora do Golfo Pérsico, incluindo Brasil e países africanos, para enfrentar os riscos de abastecimento provocados pelo conflito no Oriente Médio. A decisão foi divulgada por executivos da companhia após a apresentação dos resultados do primeiro semestre, período em que a empresa registrou alta de 19% no lucro líquido, apesar das interrupções no mercado de petróleo e das restrições governamentais ao repasse da alta dos preços aos consumidores.
Segundo o presidente do conselho da Sinopec, Hou Qijun, a companhia utilizará “todos os meios possíveis” para garantir o suprimento de petróleo bruto, incluindo cargas embarcadas pelo terminal saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, e petróleo dos Emirados Árabes Unidos transportado por oleodutos até pontos de carregamento fora do Golfo. Ao mesmo tempo, a empresa afirmou que continuará aprofundando suas relações com produtores considerados estáveis, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A Sinopec informou ainda que possui estoques equivalentes a 20 dias de processamento de petróleo e 15 dias de vendas de combustíveis.
A estratégia ocorre em um contexto de mudanças no mercado chinês de petróleo. A companhia informou que o processamento em suas refinarias caiu 17% no segundo trimestre em relação ao primeiro, enquanto as vendas domésticas de combustíveis recuaram 18%. Executivos da empresa afirmaram que o consumo de petróleo da China pode ter atingido seu pico em 2025 e projetaram queda de 8% no uso de combustíveis refinados neste ano. Para o mercado internacional, a diversificação das importações pela Sinopec reforça a busca de refinadores chineses por fontes alternativas de abastecimento diante dos riscos sobre a oferta do Oriente Médio e das incertezas nas rotas de exportação da região.
Adaptado Diesel Economics | 25/08/2026 | Reuters